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Resenha do escritor Raul de Souza Püschel sobre o livro "Septologia", de Jon Fosse, prêmio Nobel de 2023


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O tema do magistral calhamaço do Nobel de 2023, Jon Fosse, Septologia, é a pintura. É uma narração contínua. Estou lendo em espanhol, em uma edição em quatro volumes. O protagonista é Asle, que foi casado com a falecida Ales, também pintora, e é amigo de um xará, que igualmente é pintor e alcoólatra. O protagonista, por sua vez, é um ex-alcoólatra.

É um livro com parágrafos contínuos, em um fluxo de consciência, em que o tempo presente se mistura ao passado. E as personagens quase se misturam, daí talvez venha a ousadia de se colocar nomes iguais ou parecidos. Apesar de toda complexidade, é uma obra bem legível.

Fosse é considerado uma espécie de sucessor de Beckett. A questão da transcendência e o sentido da existência estão sempre presentes na obra dele. Ele produz livros bem curtos também, como, por exemplo, Brancura, já publicado em português, sobre um homem que entra na floresta no mais rigoroso inverno e fica com o carro atolado. O pequeno livrinho mostra o homem diante da morte e sua passagem, reencontrando os pais. Nisso surge um brilho intenso e divino.

Jon Fosse vem de uma família protestante, torna-se ateu e alcoólatra, e depois converte-se ao catolicismo. De alguma forma, esses dados pessoais penetram nas camadas de suas narrativas. Sua produção teatral é aclamada, assim como sua prosa, e é considerado o escritor norueguês mais importante depois de Ibsen.

É um autor exuberante. Uma das razões que a academia sueca apresentou para o Nobel a Jon Fosse foi a sua capacidade de expressar o indizível.

Da literatura norueguesa, não podemos igualmente nos esquecer do magistral Fome, de Knut Hamsum, obra traduzida por Drummond, uma das maiores ficções sobre a miséria absoluta.

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