CONTO

O SUICIDA E OUTRAS HISTÓRIAS CURTAS_COVE

O SUICIDA E OUTRAS HISTÓRIAS CURTAS

 José Augusto Carvalho 

Um motorista preconceituoso que se diz sem preconceitos; um marido que desconhece ser traído e castiga duramente o filho por sabê-lo traído; uma adolescente que sonha sair e namorar, mas é impedida pelo machismo do irmão e do pai; uma criança desprezada pelos pais que choram o filho morto; um bêbado que exige ser tratado com dignidade são algumas das histórias aqui contadas.  Em todas, no entanto, o autor brinca com a linguagem e surpreende o leitor com achados linguísticos que mostram a versatilidade da língua portuguesa que falamos e amamos. Em suma, um livro de contos quase todos premiados em concursos de âmbito nacional que certamente encantarão o leitor, senão pela trama, ao menos pelas tiradas linguísticas que divertem e instruem.

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NAS ASAS DO SERTÃO

Josina Nunes Drummond

Sinopse: Nas asas do sertão, não tem pretensões extemporâneas de Regionalismo. Trata-se de um relato de histórias avoengas, baseadas em "causos" contados por familiares idosos, oriundos do "Brasil profundo". A temática é, portanto, circunstancial. Caso tivesse sido criada em uma metrópole, provavelmente meus escritos tenderiam para a ambientação urbana. Apesar do avanço das ciências e da tecnologia, o ser humano continua o mesmo a remoer medos, fracassos, ciúmes, desamores...a regozijar-se de conquistas, de venturas fugazes e de grandes paixões. Nesta obra, em particular, sertão se traduz em espaço, personagens e estilo pessoal. O cenário revisitado por Jô é povoado por sertanejos que se relacionam harmoniosamente com os demais elementos das narrativas breves. 

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KU + 33 OUTROS TRENS

J. B. Souza Freitas

Sinopse: A versatilidade de José Benedito de Souza Freitas, rara em nossa literatura, produz poemetos sabor tutti-frutti, com suas aliterações, assonâncias e rimas. Os contos relâmpagos e os "causus" vividos e sofridos, alguns deles, assemelham-se a aventuras oníricas por não parecer coisa do mundo real. No final, quando o antirromance deságua no oceano e se choca com as ondas da maré-alta, o cronista já não é mais o "poeta" cordial e iluminado. Abandona o José e o Benedito. Assume de vez a identidade JB de Souza Freitas e esquece as epifanias tropicais. Torna-se um sujeito enfezado e intranquilo que utiliza o nonsense, a ironia e o protesto como armas. A irreverência aprofunda-se com a idade. Ele parece berrar como um alemão da Pomerânia: "É tudo die alte scheisse! " (a mesma merda). A leitura chega ao fim e sentimos que o livro não acabou. Fica a sensação de que sobram infâmias a fustigar.

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UM MUNDO CHAMADO BOA NOVA

Edson Messeder

Sinopse: "Um mundo chamado Boa Nova" é essencialmente uma ode à memória. Não apenas àquela memória que cada pessoa normalmente vai construindo ao longo da vida sobre o seu próprio caminhar. Este livro reverencia a memória coletiva de uma cidade, de várias gerações que lá ainda residem ou que se espalharam pelo Brasil, pelo mundo. De maneira leve e com uma veia absolutamente cômica, Edson Messeder reconstruiu lá da França, onde residiu por mais de três décadas, histórias, personagens e cenários da sua pequena Boa Nova, cidade localizada no Sudoeste da Bahia. As 21 crônicas que compõem este livro revelam facetas conhecidas e desconhecidas de pessoas que ajudaram a construir o jeito mui peculiar que os boanovenses têm de ver o mundo e a si mesmos. Uma atmosfera interiorana que, muitas vezes, traz aquele toque surreal da Macondo de "Cem anos de solidão" ou da Giancaldo de "Cinema Paradiso".

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CASOS DO ACASO

Flávio R. Kothe

Sinopse: Acasos se conjugam e se tornam destino, com a marca da fatalidade, daquilo que nos afeta a fundo, mas diante do qual somos impotentes. O que não tem remédio, remediado não está. Eu gostaria de ser espírita, para ter a chance de reviver a vida de um modo mais correto, mas nem isso o espírita pode, pois se reencarnar vai viver outra vida, com todos os novos erros que irão aparecer. Dizem que a postura brasileira é "me engana que eu gosto". Se não gosto de ser enganado, não deveria enganar nem a mim nem a outros, mas quantas vezes nos enganamos sem querer? Não adianta fingir, não vou ser melhor do que sou. Também não me torno melhor fazendo de conta que outros são piores. Tenho de conviver com medianidades, a começar pelas minhas. Se as religiões se baseiam no me engana que eu gosto, se atendem a anseios profundos, como o de ser preservado para sempre, é preciso antes ver de onde provém esse nosso desejo, ver que o problema está primeiro em nós, não sendo solução uma crença que não muda os fatos. O eu-narrador desses contos de Casos do acaso é muito diversificado: pode ser um químico nordestino, um morador de Berlim, um aposentado que anda pela praia, um velho professor mineiro, um perseguido político, um divorciado a refletir sobre suas ex-mulheres e assim por diante. Qualquer um pode dizer eu de si mesmo. O que parece uma identidade numérica, a ser identificada com o eu do autor, revela ser uma diversidade empírica e ficcional. Cada eu tem a sua história, cada qual é o outro de si mesmo. Por isso é que cada um tem a sua história, na qual momentos significativos da existência são repassados. Flávio R. Kothe é conhecido como ensaísta e tradutor, mas a criação ficcional não é novidade em sua trajetória. Publicou seis livros de poemas, a novela Botucaraí e, em 2016, o romance histórico e político O Muro.